Palavras, ditas vivas, sentimentos, vivos tambem, um pouco de mim, aqui, para ti que lês, que vês, assim.... Comentários são sujeitos a análise prévia, em face dos abusos cometidos por algumas pessoas.
Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004
AVÔ
Hoje conheci a morte, essa vil e traiçoeira, que me roubou quem amo, essa maldita que me levou quem tanto me amou.

Entraste sorrateira, ninguem te ouviu, olhaste sobranceira para uma família bonita, a minha, e sorriste, maldito sorriso, havíeis achado a quem levar.

Homem grande, no olhar azul, de um azul infiníto e belo, pele tisnada, muito mar, muito sol, abraço forte, quente, palavra meiga e dura, quando dura tinha que ser. Honrado como poucos, bonito, um senhor, viveu com prazer a alegria de viver.

Mas, ó morte, que sabes tu da vida, não levaste o amor, o calor, o sorriso malandro, o jeito tremendo de um homem de bem, não, levaste apenas as carnes e os ossos, triste és tu que não soubeste conhecer o homem que carregaste para longe de mim, para longe de nós.

Não sabes quem é, quem foi, nem quem será sempre, não sabes porque não podes, morte maldita, não vais nunca saber pois a suprema desdita será nunca to deixar conhecer. Um dia morrerás, mas sem nunca morrer, esse homem está aqui, nestas poucas letras, pequenas para a grandeza do seu viver.

Não sabes quem és, apenas sabes que és vil, que levas para o teu covil esse amor que era meu, mas, um dia, quando me levares, verás, sem o esperares, que não levaste nada que não o que não era teu.

Avô da minha vida, como tu, nunca mais, foste meu guia, meu mentor, aparaste-me as lágrimas de menino, as palavras de jovem, soubeste ensinar-me a ser um Homem, à tua imagem, ao teu igual, mas, não viste o que fiz, por ti e para ti, não ouviste o que te quis dizer e deixei para amanhã, erro fatal. Dizer-te que te amava, que tinha orgulho e honra em ti, que só assim poderia ser alguém, dando o que de ti recebi, tu sabes, eu mostrei-to, faltou-me abraçar-te mais, beijar-te mais.

Aqui, aí, onde estejas, olha por ti, olha por mim, daqui te mando um beijo e um abraço, o beijo do teu neto querido, o abraço do Homem.

Adeus.




publicado por PAU_LINDO às 14:13
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5 comentários:
De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2004 às 16:47
pois o nosso mal é pensarmos k podemos sempre deixar para amanha....sem sabermos se o amanha existe....mariacampos
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(mailto:mariaborowka@terravista.pt)


De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2004 às 16:46
lindomariacampos
</a>
(mailto:mariaborowka@terravista.pt)


De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2004 às 16:44
lindolindo
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(mailto:mariaborowka@terravista.pt)


De Anónimo a 20 de Fevereiro de 2004 às 11:29
Gostava de ter tido um avô/avó assim. A minha ainda vive, mas será sempre a mãe da minha mãe. Gostava de ter tido uma avó como tem a minha filha. Tenho pena de sentir assim, mas os laços de sangue que nos unem nunca foram estimulados. Tive sempre a mágoa de não ter uma avó como as outras meninas tinham. Mas paciência, fico feliz por a minha filha ser feliz com a avó k tem. Hematite
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(mailto:pfatimaguerra@hotmail.com)


De Anónimo a 19 de Fevereiro de 2004 às 15:35
Um texto mto bonito! Boa sorte para o blogFormiguinha
(http://formiguinha.blogs.sapo.pt/)
(mailto:blog_formiguinha@sapo.pt)


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