Palavras, ditas vivas, sentimentos, vivos tambem, um pouco de mim, aqui, para ti que lês, que vês, assim.... Comentários são sujeitos a análise prévia, em face dos abusos cometidos por algumas pessoas.
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2005
Nós por cá, zangados
Zangamo-nos com o pai, com aquele amigo, com este e aquele, com o homem do café, em suma, zangamo-nos tanto e a vida é afinal tão curta, perdemos tanto tempo com zangas.

Se em vez de zangas fizéssemos as pazes não contribuiríamos, ainda que apenas um pouco, para disseminar a Paz? Talvez valha a pena considerar a hipótese....

Afinal quando essas pessoas, aquelas de que gostávamos mas com quem nos zangámos, partem, fica sempre a mágoa de não termos sido capazes de lhes dizer quão importantes eram para nós.

Vá lá, façam as pazes, um sorriso é sempre um presente vindo de um amigo e a vida é dura só por si, não precisa de ajuda.

Depois falamos.


publicado por PAU_LINDO às 16:57
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005
Silêncios
Hoje debrucei-me sobre a violência, numa zona muito restrita, a do silêncio.
Quanto pode magoar um silêncio, quanta dor pode significar, quantas frases pode substituír, tanto que pode dizer.
Já, de antanho, este tema me seduz, sobre ele já prosei mas, hoje, faço-o em reverência, em jeito de homenagem, uma pequena e singela homenagem, àqueles que, por força das circunstâncias, e, em circunstância da força, se tornaram mestres do silêncio, vítimas do silenciar.
A Humanidade não tem, ainda hoje, lenítivos para este silêncio que hoje me faz escrever, não sabe capacitá-lo, não há palavras para o descrever, não se entende a dor que, deliberadamente, se causou a tantos, silenciando-os, deixando vivos alguns que apenas tiveram, como arma, o silêncio.
“Quando nos libertaram não gritámos de alegria, não festejámos, apenas os recebemos em silêncio, tão inacreditável nos parecia o fim daquele horror”, estas palavras foram proferidas por um ex-prisioneiro de Auschwitz, um silêncio mais.
Ontem cumpriram-se 60 anos sobre a libertação de Auschitwz, o meu silêncio.



publicado por PAU_LINDO às 13:31
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2005
Ai que dores
Doi-me um dente, não, doem-me dois, a cabeça, os ouvidos, não sei, sinto uns zumbidos, até me doi o nariz, não sei que mal fiz.

Tenho um joelho inchado, um calo inflamado, não defeco como devia, ando sem alegria, meio engripado, devo andar embruxado.

Descobri agora que tenho caspa, verrugas, um treçolho, mais uma inflamação na garganta, dois pelos encravados, mas que coisa, estou feito num oito.

Não sabia o que era micose, mas já sei, vai-se a ver tenho eczema , alergia, males de pele, acne e mais sei lá o quê, estou mesmo um trambolho.

Para rematar, tenho tosse, doi-me o peito, ando aflito, quando respiro até apito, tenho que dar aqui um esfregaço, lá se vão os peitos de aço, vai-se-me acabar a pose.

Estou mesmo uma desgraça, acho que não chego a Fevereiro, agora percebo porque fui afastado, estou neste triste estado, palavras para quê sou o Governo Português.



publicado por PAU_LINDO às 18:27
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Queria...
Queria estar aí.
Queria poder voar,
Poder viver sem pensar,
Viver sem correr,
Viver sem saber,
Queria estar aí,
Queria poder dizer,
Dizer o que soubesse,
Até o que não soubesse,
O que não visse, não sentisse,
Sentir, aí, não carece,
Queria estar aí,
Queria poder gritar,
Poder sorrir, até amar,
Abraçar esse Sol da manhã,
Correr nessa areia com sal,
Dormir embalado pelo mar,
Nos braços de uma ninfa acordar,
Fazer um filho, plantar um beijo,
Transpirar de desejo,
Queria estar aí,
Queria poder viver,
Até, quem sabe, um dia morrer,
Olhar esse Mundão sem fim,
Senti-lo como se fora meu,
Tê-lo no coração, só para mim,
Abri-lo para que fosse um pouco teu,
Quem não queria estar aí?
Eu sim, mas estou aqui.


publicado por PAU_LINDO às 18:10
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2005
A Gente vê-se
Tenho os sapatos rotos, os bolsos descozidos, a camisa sem um botão, as meias esburacadas, não sei se algo mais estará desgastado, isto é uma aflição.

Estava eu perdido nestes considerandos e eis que, vindo do Céu, me cai uma “prenda de gaivota” no pobre do casaco, o tal que estoicamente resistia intacto, de fazenda inglesa que deve ter nascido para os lados do Vale do Ave.

Só me faltava agora, não já não falta, distraído pus um pé dentro de uma poça de água, vá lá, podia ser pior, podiam ter sido os dois.

Acho que não saio mais de casa hoje, fico sem luz e sem água, mas estou certo que, ao menos, as gaivotas não me vão acertar, quem sabe me dedique à costura mas a última agulha que tinha usei-a para assar uma linguíça, banquete de Rei para estas paragens.

Jogava no EUROMILHÕES mas não sei contar, ainda me saía alguma coisa, sei lá se me enganavam, nunca tive mais de 20 € na mão.

Afinal não vou ja para casa, há pouco deram-me 5 € para comer uma sopa, vou passar pelo Banco e pedir que me ajudem a depositá-los naquela conta para ajudar as pessoas de lá de longe, não sei o nome daquelas terras mas conheço as pessoas, são Seres Humanos como eu mas mais tristes ainda.

Até logo, a Gente vê-se.



publicado por PAU_LINDO às 16:27
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Domingo, 16 de Janeiro de 2005
Amô
Cê, minha nega,cê mi fais um xamego gostoso, mi dá esse seu beijo guloso, cê, minha nega, cê é Sol, é vida minha, é minha caboclinha, cê é amô.

Quando seu corpo transpirado se enrola no meu, também molhado, se ajeita na forma e no tacto, aí, bem aí minha nega cê faz eu o homi mais filiz deste Mundão piqueno, piqueno demais para este amô.

Um dia vou-ti beijar todinha, sem pará, em cada covinha, em cada lugarzinho, minha nêga, em todos essis lugarzinhos bauns que tu dá pra mim, como se eu fosse o dono de seu corpão lindo, esse corpo gostoso onde me banho, onde fico como um louco, onde me inpregno de seu cheiro, de seu calô, sabe minha nega, isso é amô.

Minha nêga, tu mi dá um tesão danado, tu mi faz senti gostado, desejado, amado, minha nega tu é meu tesão sim, um gostinho di sê, um calô di vivê, minha nêga tu é o meu amô.

Minha nêga, jura uma coisa pra mim, não morre nunca não, não me deixa aqui jogado no chão e se um dia tu quisé morrê eu juro pa ocê que eu não vou querê vivê, isso também é amô.




publicado por PAU_LINDO às 15:40
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Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2005
MARTE
Ainda “ontem” marchávamos, emblemáticamente, contra a Indonésia.

Lutámos nas trincheiras da O.N.U., vimos o Mundo Nobelizar alguns dos rostos dessa luta.

Dvidiu-se o Mundo entre a Razão e a Emoção, entre os interesses económicos e o Direito à Vida, á Liberdade.

Hoje, vemos uma infinidade de lágrimas correrem na alma do Mundo, vemos um povo, como nós, como todos, que sofre, que precisa de ajuda, que clama por apoios.

E, questionados hoje sobre o sentido de todos os non sense da guerra, que poderemos nós responder?

As lutas de quartel, as de pendor político, as de qualquer outra vertente cabem onde, hoje que corremos em prol da Vida, da Sobrevivência, hoje que, aqui como em todo o lado, olhamos com pasmo e quase incredulidade, a desgraça, a dor, o terror?

Plano Marshall ? não, apenas e só Solidariedade com a causa humana, a tal que, por este caminho não durará muito, tal a cegueira desmedida da ambição política.

Bastou um gesto da Natureza para nos demonstrar a futilidade do Homem.

Tenho pena de não viver em Marte.


publicado por PAU_LINDO às 13:26
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Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2005
3 minutos
Silêncio, o meu, o vosso, o de muitos, não de todos mas de muitos, com um nó na garganta, com dor, a de ver, a de pensar.

Três minutos aqui, para sempre lá, para sempre para muitos pais, mães, filhos, filhas e todos os graus de parentesco, três minutos aqui para se dizer ao Mundo que sim, que sentimos a dimensão da perda, a própria palavra parece pequena para tanta dor.

Algures, no meio da devastação, alguém sentirá que, aqui, alguém sente?

Não há palavras para tanto silêncio, não há forma de explicar tantas e tantas vozes que se calaram num silêncio eterno, inesperado, indesejado, vazio.

Junto, ao vosso silêncio, a minha prostração, não sei mais como pensar no impensável, no indizível, sou pequeno demais.



publicado por PAU_LINDO às 13:02
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