Palavras, ditas vivas, sentimentos, vivos tambem, um pouco de mim, aqui, para ti que lês, que vês, assim.... Comentários são sujeitos a análise prévia, em face dos abusos cometidos por algumas pessoas.
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2004
Plural
Sentimo-nos donos da razão, temo-la em exclusivo, não a queremos plural, para tal temos o mal, somos cientistas da certeza, comemos com ela à mesa e afinal, cada vez mais distantes mas sós, acabamos por entender que, para além do eu, existe o nós.

Somos caducos, não somos perenes, queremos pensar que sim, que “isso não me acontece a mim”, mas a vida passa por todos nós, sem compaixão, sem piedade, por todos passa em grande velocidade e, quando notamos, já passou.

Teremos que, todos, cultivar a concórdia, o perdão, a amizade, o gosto pele vida, essa tão curta pasagem, o amor pelo próximo, enfim, ser alguém antes de morrer.

Deixo tanto por fazer, tanto por aprender, uma árvore não plantei, um filho não fiz, tanto que não sei se fui feliz.

Amanhã vou mudar tudo, deixo este ar sisudo, troco mágoas por sorrisos, quero gargalhadas e risos, ouvir e ter amor, viver, quero sonhar que comecei agora, que o passado deitei fora, amanhã vou renascer.

A razão é plural, assim o não fosse o mal, e, nestas linhas que escrevi, depressa aprendi que também amar é plural.


publicado por PAU_LINDO às 13:29
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Pudor

Hoje não visto cuecas, minhas “vergonhas” não vou cobrir, meus pudores não quero tapar, de tanto ar apanhar acho que vou acabar por me rir.


Hoje não uso camisa, tenho uma pele tão lisa, um colarinho vou desenhar, gravata não vou usar e vou mais fresco para a rua.


Calças também não, hoje não quero tecido que me cubra, quero apenas ser quem sou, mostrar-me sem espartilhos, não esconder meus pecadilhos, hoje não.


Pronto, estou sem roupa, todos me olham com espanto, serei o único que anda nú, acho que sim, todos têm roupa, algumas têm pouca, estou só nesta cruzada.


Acabei detido por atentado ao pudor, recebi, aqui e ali, olhares de luxúria, alguns de animosidade para com essa suposta indignidade, a de andar sem roupa, choca o Mundo, tão composto, taciturno, mal disposto e cá estou detido, ainda nú, sereno, sem cuecas, sem calças, sem camisa, sem gravata mas, mais despido do que isto, há muitos por aí, despidos de preconceitos, da verdade, do rigor e prendem-me a mim por atentado ao pudor.


Tinha sapatos e meias...



publicado por PAU_LINDO às 12:53
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Quinta-feira, 14 de Outubro de 2004
Sou...
Sou uma mulher.
Sou bonita.
Sou boa.
Sou muito boa.
Sou a maior.
Sou a tal.
Sou melhor que todos.
Sou a única que sabe como é.
Sou pura.
Sou dura.
Sou desconfiada.
Sou vil.
Sou cruel.
Sou mais de fel que de mel.
Sou mesmo boa
Sou mãe.
Sou boa mãe.
Sou uma mulher só.
Sou a mulher.
Sou a única que sabe amar.
Sou tão boa.
Sou uma contradição.
Sou assim tipo hoje sim, hoje não.
Sou um furacão
Sou isto tudo e muito mais.

Sou tanta coisa e, no final, vendo bem, não sou ninguem.



publicado por PAU_LINDO às 11:58
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Segunda-feira, 11 de Outubro de 2004
Anita dos Limões

Com seu vestidinho de chita, Anita, a vendedeira de limões, impregnava, com seu trinado ritmado, o ar que eu respiro, bendito trinar que tanto admiro, é cantar de voz de Mulher, grande, cheia, de alma igual na grandeza, na plenitude, voz de Gente, com atitude, é a Anita, a vendedeira de limões.


Podia vender outro coisa, maçãs, batatas, a alma, a honra, a dignidade até, mas não, escolheu os limões, diz que têm uma cor especial, um cheiro desigual, é o seu pregão que o faz assim, saiba ele ser digno de tal apregoar.


“Ó Freguesa!” exclama ufana, certa da valia do seu produto, que deseja, quantos quer, “são do melhor para o escorbuto”.


Faz-se de Anitas este mundo, de Anitas e seus limões, anunciados em pregões que, quando mortos, já lembramos com saudade, essa vil lembrança triste de quem ouviu, em tempos, cantar a Anita dos Limões.


Hoje, sós, os limões, na prateleira de um qualquer hipermercado, aguardam por senhoras finas, as “freguesas” já não existem, já não são apregoados.


Ficaram os limões, a Anita já se foi, das “freguesas” nem vistas, qualquer dia são em pó, do tal que é só juntar água e que o dinheiro compra, mas...o trinado ritmado da Anita dos Limões, esse, nunca mais.



publicado por PAU_LINDO às 23:18
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RICO e pobre

Nem sei por onde começar, quando fim e o início se afiguram tão confusos, tão ambíguos, tão estranhos, fico sem saber se começar.


Hoje chamaram-me de POBRE, financeiramente falando, fustigaram-me a alma com tal arquétipo, como se fosse certo, justo, até possível de saber o que sou ou não sou pela dimensão da minha riqueza.


Hoje chamaram-me de DIFERENTE, porque sou menos que outros, menos que alguns, menos. Hoje chamaram-me de TUDO, mas só ouvi um pouco e, o pouco que ouvi, chegou-me.


Hoje sou quem sou, pobre, diferente, igualmente nobre, vertente de uma vida de luta, de trabalho, de dignidade, de verticalidade.


Hoje sou, pobre, financeiramente, mas RICO, consigo sorrir para aqueles que me tentaram magoar e descobrir quão RICO sou ao saber perdoar.


Hoje fiquei mais triste, mais capaz de rir e de chorar, descobri que existe, para além da arrogância, um outro patamar.


Amanhã, quando, o RICO e o POBRE, eu tiver que explicar, a um filho, a um amigo, vai ser mais fácil para mim conseguir, por isso a quem hoje me tentou magoar só posso agradecer por me ter ajudado a compreender a dimensão da palavra PERDOAR.


Amanhã, como hoje, tenho amor para dar, um sorriso, uma palavra amiga, sou RICO, e, aos que me educaram, terei que agradecer terem-me ensinado o caminho a trilhar, ao invés de dinheiro, fizeram de mim HOMEM, ensinaram-me a amar.


Pobre de quem se acha RICO por ter o que a mim me falta.



publicado por PAU_LINDO às 22:57
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004
Vozes de PORTUGAL

De vozes, de opiniões, de avaliações pessois se faz uma reflexão, clara, quanto maior for o manancial de dados, sustentada, nossa. Sejam dissonantes ou consonantes, têm, ao menos, o mérito de serem sonantes.


Se caírmos na tentação de -podendo, logo fazendo- calar aqueles que nos agitam com a sua discordância, faltar-nos-á o sustentáculo da oposição, para validar ou melhorar, para enriquecer ou justificar as decisões que fundamentamos numa nossa consciência, crítica e criticável.


Se nos acharmos inatingíveis, intocáveis e quejandos, estaremos à beira de um colapso da razão, a tal que, se sustentada, é defensável com todas as nossas energias, se, apenas baseada em critérios de interesse, pontuais, focalizados, em breve se desmontará, face ao critério do interesse geral da comunidade de valores. Não há como enganar um povo, há como ludíbriar um povo, por um ano, um mandato, mas nunca por uma eternidade.


Hoje calou-se uma voz, amanhã mais serão caladas, um destes dias voltaremos a prender porque discorda, agita, é dissonante, mas, um dia, com cravos ou sem eles, também tal gente será sufragada por um povo que, descontente, fará sentir, a uma voz, o descontentamento de tantas vozes, que, ora caladas, então soarão.


Pobre Portugal que se deixa morrer assim, nas mãos de plebeus de alma, que se rodeiam de cosméticas para enganar quem olha, quem ouve, mas não vê, em instância final, que apenas a si ludribia, não a um povo que, cada vez mais, se revê nas dissonâncias, ainda que estas não sejam iguais às suas. Revê-se na coragem, na capacidade de dizer o que muitos pensam, ainda que pensem algo diferente, revê-se na verticalidade, coluna direita de gente HOMEM, há muitas colunas direitas neste meu PORTUGAL, muitas que, ninguém, nunca vergará.


Nunca vergaremos perante a vergonha, a covardia, a mentira, a escória que dirige a governação deste PORTUGAL.


Para que fique claro, este texto apenas presta homenagem a uma mui ilustre voz, não tem linha de orientação política comum, apenas presta um dever de consciência.



publicado por PAU_LINDO às 14:35
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Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004
A imperfeição de um beijo

Nem sei mais como ser, nem sei já o que dizer, apenas sei que ser assim, sem o saber, acaba por ser um não ser.

Cruzo-me com a beleza, com a perfeição, passam por mim, de raspão, atraem-me, sorriem, dão-me paixão, mas ficar não ficam, não ficam não.

Será que da perfeição me quero acercar, da beleza quererei beber, acho que não, eu quero viver, quero mesmo é amar mas, amar não vou querer se a perfeição me quiser prender, se a beleza me for sufocar.

Conheço tanta gente perfeita, tanta perfeição em forma de gente que, no meio da minha imperfeição quase me tento a julgar-me de demente.

Vou querer ser quem sou, mudar, um pouco aqui, algo ali, mas perfeito não serei nunca, filmes desses eu já vi.

Pensar que, aqueles que se julgam perfeitos, também choram como eu, também emanan tristeza no olhar, tanta perfeição assim tão bela e não haveria motivo para chorar.

Ora, ficai bem, gente perfeita, ficai em vosso castelo, protegidos, restará à vida dizer-vos se vos protegeis ou vos fechais.

Um beijo imperfeito mas com aquele jeito.



publicado por PAU_LINDO às 18:23
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