Palavras, ditas vivas, sentimentos, vivos tambem, um pouco de mim, aqui, para ti que lês, que vês, assim.... Comentários são sujeitos a análise prévia, em face dos abusos cometidos por algumas pessoas.
Sexta-feira, 11 de Junho de 2004
Pensamentos à solta

De tanto pensar para escrever, De tanto escrever para não pensar, Acabei por pensar sem escrever. Acabei por escrever sem pensar. É feito de livre arbítrio o livre pensamento do livre pensador. Tanta liberdade pressuporia a dita na vivência, mas, se sou livre ao escrever, o mesmo não posso dizer de meu viver.


Arreigado à vida e a seus padrões, deixei-me aculturar, fui na corrente das dores sentidas, que não as vividas e, agora vejo-o com clareza, perdi a liberdade de ser feliz. Se para ser feliz é preciso morrer, se para tanto alcançar tanto tenho que sofrer, pefiro não morrer e viver, viver sempre na mira de ser sei lá o quê, se não feliz que seja algo assim, sem fim, mas não seja morrer, não, isso não é para mim, quero mesmo é viver.


São estas incontidas e irreflectidas palavras o meu alimento de hoje, ontem comi menos mal, li apenas o jornal, mas hoje, já com tanta palavra à solta, escrita sem pensar, acho que vou ficar saciado, por agora, pelo menos, mas logo verei que tal fica o silencio da alma, já que o ruído está todo aqui.


Deixar entrar este Sol em mim, que não em “trânsito”, deixar que seja profanada a melancolia com o calor da vida, deixar tudo, sem fim, pois da vida e da alegria, não se escreve, não se fala, vive-se e sente-se, assim. Vou agora mesmo olhar, aprender um pouco mais, viver, e ficar a saber que vivi um pouco menos mas vivi, olhei, um pouco mais, e aprendi.



publicado por PAU_LINDO às 16:28
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Terça-feira, 8 de Junho de 2004
Beijo de letras
Com mil palavras nada disseste, todo eu ouvidos, só para ti, mas não, nada ouvi do tanto que tu falaste, nada ouvi porque nada disseste.

Olhei teu rosto pálido, vi nele a mágoa e a dor, vi onde antes vira amor, calor, mas ora pálido e triste, já nele não havia a tão desejada alegria de outros momentos a dois.

Nem sei que pense de tal, se bem, se mal, sei apenas que me entristeceu, magoou, doeu, mas a ti também abalou, eu vi, vi que contigo mexeu tudo aquilo que não disseste.

Se à simplicidade de amar juntares uma pitada de coragem verás também, verás que a vida tem outra cor, o beijo, outro sabor, te saberá como a ninguém.

Não custa ser assim, tão bonita, tão sincera, o que custa é ser alguém, fazer valer a diferença que nos dá a vida quando aprendemos a amar.

Do meu pequeno coração para ti, um olá daqueles que iluminam até a noite e um beijo nessa boca para que nela desponte o dia.

Tu sabes que sim, de mim para ti, de ti para mim.



publicado por PAU_LINDO às 15:30
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Segunda-feira, 7 de Junho de 2004
Mar, tu meu e eu teu
Se a vida é feita de sorrisos, estou morto.
Se é feita de alegrias, estou quase morto.
Se viver é ter algo lindo, não vivi muito.
Será que vivi de todo? Será?

Cada vez mais, o sorriso, a alegria, a chama, tudo coisas que me caracterizavam, vão morrendo sem aparentes motivos, mas vão. Será que as “amizades” que se revelam falsas e medíocres, será que os sorrisos e carinhos de outras pessoas, tantas vezes de circunstância, são os responsáveis por tal definhar?

Apaguei da memória as coisas más da vida passada, foi quase miraculoso o acto, e que sobrou? algumas alegrias, sorrisos, sim, sorrisos uns quantos, a verticalidade, a dignidade, a tal que dá prumo à espinha mas não dá aprumo ao viver...triste sou quando questiono a valia da dignidade, enfim, sinal dos tempos, da tempestade que por aqui vai.

Vou olhar de novo o Mar, sorrir, gritar, chorar, talvez até pensar, pensamentos vis de vinganças, de bonança, de esperança, não, vou-me ficar pelo fitar, sem pensar, sem mais nada do que olhar, num vazio cheio de luz e de sons, tentar uma purga, uma surreal análise, pensando sem pensar, olhando sem olhar, mas estando lá, a fitar, o Mar, apenas o Mar. Não me vou ver, nem rever, vou apenas não ver, que olhar também é não querer ver, de tantas e tantas vezes ver sem saber, sabendo que se vê sem olhar, que se olha sem ver.

O Mar é o meu amigo, que me dá de comer, de beber, que me faz viver, já muitas vezes me ouviu rir, amar, algumas vezes viu-me chorar, já teve a minha vida nas mãos, várias vezes, mas, não, não ma quis tirar. Se isto não é ser amigo que será a amizade? Aqueles gestos e palavras que distribuímos por alguns como sendo bons e afinal...nada são, será que é isso ou será pormos a nossa vida na mão de alguém e esse alguém afagar-nos o cabelo e ajudar-nos a viver, dar-nos alento sem nada pedir a não ser o ver-nos sorrir.

Benditos aqueles que amei, ainda que já tenham partido, aqueles que ainda cá estão, benditos são, só não são benditos os que nunca “cᔠestão, esses não, são proscritos que se mascaram de benditos mas benditos nunca serão. Não sei porque é a vida assim tão dura, podia ser tão mais pura, mas sei que se encontra muita mentira, muita omissão, qual canção, triste fado, disco, que de já tão riscado, nem ouso mais pôr a tocar.

Enfim, vou ficar a olhar o Mar, se um dia me atraiçoar, levar-me-á a Vida, mas tanta me deu que até lha deixo levar, levará aquilo que é seu.


publicado por PAU_LINDO às 19:21
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