Palavras, ditas vivas, sentimentos, vivos tambem, um pouco de mim, aqui, para ti que lês, que vês, assim.... Comentários são sujeitos a análise prévia, em face dos abusos cometidos por algumas pessoas.
Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005
Estrelas no Céu
Vamos esquecer a astronomia, por instantes, supor que as estrelas do Céu são aqueles que amamos e já partiram. Não custa nada teorizar, afinal de contas não foram esses que nos guiaram enquanto vivos? Não foi a sua luz que nos orientou e iluminou os nossos passos?

Olho o Céu, sequioso de reencontrar os meus, vejo-os lá alto, sorrindo com um brilho intenso, olhando para mim. Nem sei que lhes dizer, tamanha é a emoção de os ver brilhar de novo, mando-lhes beijos, abraços, não lhes peço desejos, apenas um, que continuem a alumiar o meu caminho, os meus passos.

Bendito Céu, bendito olhar, benditos que me permitem de novo ver, de novo amar, benditos vós que estais aí, benditos como bendito foi o vosso ser.

Vejo ali os meus tios, o Armando, o Afonso, mais um lote de gente amiga, as avós, os avôs, os meus saudosos avós, vejo-os a todos, sem excepções, transcendem-me a alma estas emoções e choro como um menino, de alegria, de emoção, de amor, de saudade, essa suprema ironia, a de perder e voltar a ter quem nos ensinou a vida, a liberdade, valores de gente grande e bonita.

Só podiam ser estrelas no Céu, ser Luz, por poder para ele olhar e ver tanta gente bonita, tanta gente a brilhar.


publicado por PAU_LINDO às 11:56
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005
Dor
Deixemo-nos de tretas, quando a dor nos toca já não pensamos em mais nada, não queremos saber de política, futebois, queremos é procurar abrigo daquela dor que nos atacou sem avisar.

E a dor tem tantas formas, um familiar que morre, um parente que adoece, um filho que nos enlouquece com a sua dor, um amigo que passa mal, a separação, a distância, o cinismo, a mentira.

Pode ainda ser mais generalista, a tragédia natural que mata sem pudor, sem se perceber porquê, também causa dor. A pobreza, a miséria, a covardia, a luxúria do capital, em suma, as assimetrias que tão dolorosas podem ser.

Mas, por fim, desponta o Sol, há um brilho intenso no horizonte, descobrimos um novo dia, traz-nos boas novas e, no meio de tudo isto, vamos avançando, carpindo as dores, mas, avançando sem que nada nos detenha.

Um dia iremos partir, também nós causaremos dor.




publicado por PAU_LINDO às 21:30
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005
Fados e Palhaçadas
A alma transbordava, cheia das palmas do público que eram a razão do seu viver.
Riam-se, agradeciam-lhe com palmas, com gargalhadas sadias, acalmavam-lhe as noites sem sono, abrilhantavam-lhe os dias e, ele, com graças e mímica sem par, fazia desta a sua forma de lhes pagar.
Ali, sentado no seu camarim, com as luzes reflectidas no olhar, deixava que o espelho mostrasse que, por baixo da maquilhagem, daquele sorriso pintado, havia um homem, para além do palhaço, das gargalhadas, das palmas.
Caía uma chuva miudinha, correu para o autocarro, mergulhou num mar de rostos taciturnos, sem luzes, sem ribalta, sem palmas.
Mais logo, à noitinha, vai cantar o fado, numa viela dessa Lisboa das tradições, vai receber mais palmas, desta vez, com lágrimas, com emoções.
Foi preciso um terramoto, uma cheia, um furacão, para que se percebesse que as lágrimas, a dor, a perda, são iguais em todo o Mundo.
Palhaços e fadistas, em todo o Mundo, há sempre demasiados.


publicado por PAU_LINDO às 11:52
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005
Sombras
Numa quase sombra, debaixo de uma arcada de pedra talhada, lá estava aquela figura.

Dobrada, olhar no chão, maltrapilha, a mão estendida, a coluna dobrada, pela fome, pela tristeza, até pela indignidade a que se votara ou a que fora votada.

Não cantava, não fazia de estátua, não tinha preceitos especiais, apenas estendia a mão à caridade alheia.

Quando passava por esta figura, talvez por me ter distraído a olhá-la, tropecei numa pedra saliente e estatelei-me ao comprido. Ainda mal refeito da queda deparei com um rosto aflito, “o senhor magoou-se?” perguntou-me no meio de um esforço para me ajudar a levantar.

Não pude deixar de reparar na magreza, nas poucas carnes que cobriam as mãos ossudas, nos olhos bonitos onde, em tempos, terá bailado um sorriso. Não pude deixar de notar a desigualdade corporal, entre aquela pessoa e eu, sem que, no entanto, tal tenha sido motivo para que não me auxiliasse.

Quando, já refeito, lhe agradeci, de mão esticada, espantou-se com a afabilidade do meu gesto como se não fosse digna de tal, olhou-me tímida e esticou-me a mão, quase receosa, incrédula até.

Tentei perceber o porquê de ali estar, se haveria como a ajudar, respondeu-me que era a vida, “correu-me mal, sabe ?!”, fiquei ali, sem palavras, impotente, perante o curso daquela vida, depois disse-me que lhe tinha dado uma alegria, apertar-lhe a mão, “um senhor de fato”, era uma coisa de que já não se lembrava.

No fundo de tanta tristeza viu-se uma mulher, viu-se um ser a quem um simples aperto de mão aqueceu o coração.

É tão fácil darmos um calor à vida alheia, não precisamos de caír na va pública, basta que estendamos a mão num gesto de amizade.



publicado por PAU_LINDO às 20:47
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